Capoeira Angola e Regional
Angola
A Capoeira Angola é o estilo mais próximo da prática dos negros escravizados no Brasil. Caracteriza-se por movimentos cadenciados, furtivos e realizados próximos ao solo, mas também com explosões rápidas e inesperadas. Sua essência está profundamente ligada aos rituais afro-brasileiros, como o Candomblé, e sua música é orgânica, ritualizada e acompanhada por uma bateria completa de oito instrumentos: três berimbaus, dois pandeiros, atabaque, agogô e reco-reco.
O termo “Angola” surgiu porque muitos africanos trazidos ao Brasil eram embarcados no porto de Luanda e, independentemente de sua origem, eram chamados de “negros de Angola”. Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha) foi o grande ícone desse estilo, inaugurando em 1941 o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA). De seus ensinamentos nasceram mestres lendários como João Pequeno, João Grande e Mestre Moraes, que mantêm viva essa tradição.
À primeira vista, o jogo de Angola pode parecer lento ou pouco perigoso, mas sua complexidade se assemelha ao xadrez. É marcado por sutileza, teatralidade, mandinga e dissimulação, tornando-se tão ou mais desafiador que o jogo da Regional.
Regional
A Capoeira Regional foi criada por Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado, 1900–1974), que sistematizou o ensino da capoeira por meio de sequências pedagógicas. Inicialmente chamada de “Luta Regional Baiana”, a Regional incorporou elementos de outras práticas, como o batuque — luta popular na Bahia — e possivelmente influências do judô, jiu-jitsu e savate.
Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia oficial de capoeira, o Centro de Cultura Física e Capoeira Regional da Bahia, em Salvador. Sua disciplina rigorosa estabeleceu níveis hierárquicos (calouro, formado e formado especializado) e introduziu o jogo de Iúna, reservado aos formados, marcado pela habilidade e pela solenidade do toque exclusivo do berimbau.
A Regional popularizou a capoeira, transformando sua imagem de prática marginalizada em símbolo nacional. Seu jogo é mais rápido e dinâmico, com ênfase em quedas, rasteiras e cabeçadas, mas sempre pautado pelo respeito ao parceiro.
Patrimônio Cultural
Em 2014, a Roda de Capoeira foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reforçando sua importância como símbolo da resistência negra e da identidade brasileira. Hoje, a capoeira é praticada em mais de 160 países, consolidando-se como uma das maiores expressões culturais do Brasil.
Cabapuã Capoeira – Metas e Compromissos
Assim como Mestre Bimba previu, a capoeira está em constante evolução. O Grupo Cabapuã Capoeira, liderado pelo Mestre Célio D’Lua, busca unir tradição e inovação, com um método vigoroso e potente como defesa pessoal. Nossos princípios são disciplina, união e ética, e nosso compromisso é promover não apenas a prática física, mas também o desenvolvimento humano, ajudando cada aluno a evoluir como pessoa.
Instrumentos da Roda
- Berimbau – arco musical de origem africana, regente da roda.
- Caxixi – pequeno cesto com sementes, usado junto ao berimbau.
- Atabaque – tambor afro-brasileiro, presente também nos rituais de candomblé.
- Pandeiro – instrumento de origem portuguesa, incorporado às manifestações brasileiras.
- Agogô – instrumento africano que adiciona contrapontos rítmicos.
- Reco-reco – percussão que enriquece a sonoridade da roda.
Requisitos Básicos para o Exame de Cordas – Cabapuã Capoeira
A graduação na capoeira é um processo de evolução que envolve disciplina, prática constante e amadurecimento dentro da roda. Cada corda representa não apenas o domínio técnico, mas também o crescimento pessoal e cultural do capoeirista.
Corda Cinza – Batismo
- Ginga
- Esquiva Cavalo e Lateral
- Esquiva de lado e de frente
- Ponteira, Martelo, Meia Lua de Frente, Benção, Armada, Meia Lua de Compasso
- Aú
- Instrumento: Pandeiro
- Tempo mínimo: 4 a 6 meses de treino
Corda Cinza-Verde – Aluno 1º Grau
- Esquiva Paralela
- Rasteira de frente e de costas
- Negativa, Rolê, Vingativa
- Bibliografia: Mestre Bimba
- Instrumento: Berimbau (Regional e Angola)
- Tempo mínimo: 8 a 10 meses de treino
Corda Verde – Aluno 2º Grau
- Chapa, Chapa Giratória, Queixada
- Rasteira em pé
- Tesoura de frente e de costas
- Macaquinho, Ponte, Bananeira (parada de mão)
- História da Capoeira
- Instrumento: Atabaque
- Tempo mínimo: 1 ano de treino
Corda Verde-Amarelo – Aluno 3º Grau
- Banda de costas, Cabeçada, Chibata, Esporão
- Queda de rins, Baiana (double leg, single leg)
- Funcionalidade dos movimentos
- Floreio de jogo (cadência)
- Bibliografia: Mestre Pastinha
- Instrumento: Berimbau (toques: São Bento Pequeno, São Bento Grande, Benguela)
- Tempo mínimo: 1 ano e 6 meses de treino
Corda Amarela – Aluno Graduado
- Sequências da Regional
- Martelo Rodado, Bico de Papagaio, Peão de Mão
- Xangô, Pulo do Palhaço (Pulo do Gato)
- Instrumentos: Agogô e Reco-reco
- Tempo mínimo: 2 anos de treino
Corda Amarela-Laranja – Graduado 1º Grau
- Golpes: Godeme, Godeme Giratório, Galopante, Cotovelada, Escala
- Movimentação de Angola
- Gancho com a perna (Angola), Aú de cabeça
- Chamadas de Angola
- Instrumento: Berimbau (variações de repiques nos 3 berimbaus)
- História de Zumbi dos Palmares
- Tempo mínimo: 2 anos e 6 meses de treino
Corda Laranja – Graduado 2º Grau
- Aú Agulha, Aú Trançado, Aú sem mão
- Mortal de costas
- Defesa contra soco, faca, porrete e facão
- Cadência no jogo de Angola
- Noções de primeiros socorros
- Instrumento: Berimbau (toques: Amazonas, Cavalaria, Iúna, Idalina, Samba de Roda)
- Tempo mínimo: 3 anos de treino
Corda Laranja-Azul – Graduado 3º Grau
- Conhecimento e prática: Maculelê, Puxada de Rede, Samba de Roda
- Confeccionar instrumentos artesanais (berimbaus, caxixis etc.)
- Tempo mínimo: 4 anos de treino
Corda Azul – Instrutor
- Didática de Capoeira
- Tempo mínimo: 5 anos de treino
Corda Azul-Vermelho – Estágio
- Trabalho social por no mínimo 1 ano, formando alunos
- Tempo mínimo: 6 anos de treino
Corda Roxa – Professor
- Tempo mínimo: 7 anos de treino e já possuir alunos
Observação Importante
Nas graduações avançadas, além dos movimentos, contam também experiência, maturidade e merecimento dentro da capoeira. O processo é contínuo e cada corda simboliza não apenas técnica, mas também evolução pessoal, ética e compromisso com a tradição.
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