Cais do Valongo: O Solo Sagrado da Diáspora e a Resistência Afro-Brasileira
O Registro da História
No domingo, dia 06 de setembro de 2026, estive em vivência no Cais do Valongo e na região do entorno da Pequena África, no Rio de Janeiro. Percorrer aquele solo não é apenas realizar um passeio turístico; é pisar em um dos sítios arqueológicos e de memória mais importantes do mundo.
O Cais do Valongo foi o principal ponto de desembarque de africanos escravizados nas Américas — estimando-se que por ali passaram cerca de um milhão de homens, mulheres e crianças sequestrados de suas terras originais. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o local é um marco da dor, mas, acima de tudo, da resiliência e fundação da identidade cultural brasileira.
Mestre Célio D'Lua presente no Sítio Arqueológico do Valongo.
A Diáspora, a Capoeira e o Valor Cultural
Para a Capoeira e as manifestações de matriz africana, a região que compreende o Valongo, a Pedra do Sal e a Praça Onze — historicamente batizada por Heitor dos Prazeres como Pequena África — representa a espinha dorsal de nossa resistência cultural.
Neste território, os povos despojados de sua liberdade física teceram redes de solidariedade, mantiveram vivos seus cultos aos orixás e ancestrais, e moldaram as bases da capoeiragem urbana. A capoeira não se consolidou apenas como arte marcial ou jogo corporal, mas como um sistema de defesa, linguagem codificada de liberdade e preservação da cosmologia africana diante da opressão.
Diálogo com Magnum: Guia e Historiador Carioca
Registros da conversa conduzida durante a visita técnica ao território histórico:
Considerações do Mestre
Retornar desse território fortalece nosso compromisso pedagógico e filosófico frente ao Centro de Treinamento Marcial Cabapuã Brasil. Ensinar Capoeira e artes de combate é, fundamentalmente, transmitir a história daqueles que usaram o corpo e a sabedoria ancestral como escudo e lança.
A preservação da memória do Valongo nos lembra diariamente que a nossa arte é sagrada, fundamentada no sangue, na mandinga e na vitória da preservação cultural afro-brasileira.












